Entrevista: Diretor Jon Watts Fala Sobre Homem-Aranha De Volta ao Lar

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Entrevista: Diretor Jon Watts Fala Sobre Homem-Aranha De Volta ao Lar

O diretor Jon Watts fala de origens, como o Aranha vai interagir com o universo cinematográfico da Marvel e lista seu game favorito.

Com Homem-Aranha De Volta ao Lar voando em direção aos cinemas no mês que vem, passei alguns minutos conversando com o diretor Jon Watts sobre sua visão sobre o Aranha, sua integração no universo cinematográfico da Marvel, e o que o sucesso de filmes como Logan e Deadpool significam para as adaptações de HQs.

PSB: Você considera De Volta ao Lar uma história de origem do Homem-Aranha?

Jon Watts: Sim, considero. Não são os mesmos momentos das histórias de origem que vimos em outros filmes: não vemos a morte do Tio Ben, não vemos a mordida da aranha. Mas acho que isso é um começo do Homem-Aranha, de certa forma. Ele ainda está aprendendo a ser um super-herói. De certa forma, é uma história de origem — só não é a mesma que vimos antes.

PSB: Há relevância no título “De Volta ao Lar” para a história e personagem?

JW: Bem, há o significado superficial do baile escolar no filme. Mas é legal que também representa o retorno para o universo Marvel. Homem-Aranha foi criado para dar uma perspectiva diferente nesse enorme mundo de super-heróis. Então agora que ele finalmente está no universo Marvel, acho que é seu retorno ao lar.

PSB: Como você vê De Volta ao Lar se diferenciando dos filmes de Sam Raimi e os filmes da série “Espetacular”?

JW: A maior coisa, na verdade, é que ele não está mais sozinho no universo. O fato dele ser um garoto super-herói no mundo dos Vingadores e Guardiões da Galáxia abre toda uma gama de possibilidades em termos de histórias que podem ser contadas. Isso, somado ao fato que Tom Holland pode interpretar um colegial de forma convincente dá uma sensação diferente de tudo que vimos antes.

PSB: O que você acha mais importante de acertar ao mostrar o Homem-Aranha? Qual é o cerne do personagem?

JW: Precisa ficar claro que o Homem-Aranha é um garoto normal. Ele precisa estar lidando com o mesmo tipo de problema que um garoto qualquer tem que lidar. Também precisamos saber que Peter é esperto, e descobrir sua vida caseira. Mas no fim do dia, isso é que faz dele o Homem-Aranha: ele é como você ou eu.

PSB: Haviam rumores de que o Abutre apareceria em diversos filmes do Homem-Aranha no decorrer dos anos, mas isso nunca se concretizou. Quais circunstâncias o levaram para De Volta ao Lar?

JW: Eu era atraído pela ideia pois, para começar, ele é um dos primeiros supervilões no mundo do Homem-Aranha. E em segundo lugar, porque abre as possibilidades de algumas sequências de ação muito boas. Um cara em uma roupa voadora lutando contra o Homem-Aranha? [risos] Isso era muito interessante para mim.

PSB: Como Tony Stark vai interagir com Peter Parker?

JW: Bem, a bola que me foi passada foi muito boa, de Capitão América: Guerra Civil. Tony Stark retirou o Homem-Aranha da obscuridade, levou ele para uma aventura maluca na Alemanha enfrentando o Capitão América, e agora soltou ele de volta no Queens.

A parte mais divertida para mim é que agora Peter Parker acha que é um Vingador honorário. Mas… não é necessariamente o caso. Então colocar ele como um garoto olhando de fora, sonhando em ser algo maior e encontrar seu lugar no universo, é como estamos integrando Homem-Aranha nesse mundo maior.

PSB: Tony Stark será o mentor, treinando Peter along?

JW: [risos] Penso em Tony Stark como um mentor relutante. Não sei se ele necessariamente pensou nisso até o fim, quando escolheu esse moleque para ajudá-lo. Não sei se ele notou que esse garoto, que de muitas formas é muito mais poderoso que ele, iria de repente olhar para ele em busca de conselhos. Porque Tony Stark não é necessariamente a melhor pessoa no mundo para ser seu mentor [risos]. Para mim, acho que há muita nuance no relacionamento de mentor, de ambos os lados.

PSB: O Homem-Aranha original da Sony (2002) foi por muitas perspectivas o primeiro filme moderno de super-herói. O que mudou desde então, e como afetou sua visão para De Volta ao Lar?

JW: A maior coisa agora é que esses super-heróis existem em um mundo compartilhado, então você pode ver como eles interagem uns com os outros. Mas o primeiro filme de Raimi é incrível; quando você reassiste ele agora, você percebe que é atemporal. Eles criaram um equilíbrio divertido de ação, drama e comédia — meio que plantou a semente que Homem de Ferro então pegou e levou às últimas consequências. E isso deu início à criação do universo cinematográfico da Marvel, do qual De Volta ao Lar agora é parte. [O filme original de Raimi] ainda se destaca de muitas formas.

PSB: Um dos melhores filmes que vi recentemente foi Logan, que apesar da alta classificação etária para um filme de HQ, teve enorme sucesso crítico e comercial…
JW: É. É legal que você possa fazer isso agora. Criar um filme estilo Velho Oeste violento, para maiores de 16, sobre Wolverine. E ele fazer sucesso — é muito empolgante.

PSB: É. E Deadpool também, agora. Esses filmes mais adultos sugerem novas possibilidades para adaptar HQs e graphic novels?

JW: Sim. Não acho que as pessoas pensam em filmes de HQs como um gênero. Acho que a plateia está mais confortável com algo que pode ter se originado como personagem de história em quadrinhos — e não ser uma história vibrante e alegre. As pessoas que leem muitos quadrinho não estão surpresas com isso, mas nem todo mundo cresceu lendo elas.

Então o público do cinema ficando muito mais confortável com essas histórias é algo positivo, porque abre as portas para um mundo muito maior de narrativa.

PSB: Eu costumo achar que os quadrinhos são uma das mídias mais autênticas de narrativa…
JW: É. Isso é algo no qual pude sempre me apoiar na criação de Homem-Aranha De Volta ao Lar. Há tantos anos de HQs do Homem-Aranha que posso usar para me inspirar, tantas histórias exploradas nessas páginas, que para mim as possibilidades são infinitas.

PSB: Na preparação para essa entrevista, alguns amigos me pediram para perguntar se “personagem X ou Y” fariam uma aparição no filme. Mas vamos deixar isso para o filme. Onde está o ponto certo, na sua opinião, entre contar uma boa história, e entrar no assim-chamado “fan service”?

JW: Precisa funcionar se você não viu nenhum dos outros filmes. Precisa ter pernas próprias. Todo aquele resto precisa ser um bônus. Eu sempre penso, se minha mãe assistir esse filme, e não acho que ela viu nenhum dos filmes da Marvel, ela entenderia o que está acontecendo? Ela ficaria engajada dramaticamente na história?

PSB: Quanto à roupa do Aranha em si — quantas versões da fantasia vocês criaram antes de decidir o que apareceria em Guerra Civil?

JW: Não sei quantas versões tiveram — não entrei até Tom Holland ser contratado. Mas, centenas e centenas, te garanto. Há tantas combinações, variações diferentes do padrão da teia, a maneira como a roupa se dobra. Tem tantas coisas que são levadas em consideração. Felizmente, a Marvel tem esse departamento de desenvolvimento visual incrível, e esse é basicamente o único trabalho deles — levar os personagens dos quadrinhos e dar vida a eles no mundo real.

PSB: Falando nisso, como é a colaboração com a Marvel? Imagino que seja próxima. Eles oferecem uma lista do que pode ou não ser feito?

JW: Trabalhamos bem próximos. No começo, fui bem claro em minha visão para o filme e me certificando que ninguém seria surpreendido no meio do caminho. Nunca estive nessa situação antes, então só por falar por mim mesmo, mas você pode entrar em um trabalho grande assim imaginando que alguém em algum momento vai dizer “não, você não pode fazer isso.” Incrivelmente, isso nunca aconteceu. Fui capaz de levar essas ideias-chave que tinha preparado desde o início, e levar elas bem longe.

PSB: Não teve algum momento que talvez você tenha tido uma discussão educada sobre a melhor forma de seguir adiante…?

JW: É sempre um processo colaborativo. O que é legal é que você está trabalhando com um grupo de basicamente os maiores fãs no mundo [risos]. Se algo, parece um recurso incrível que você pode empregar. Quando você está fazendo brainstorming [de opiniões diferentes], e é capaz de perguntar a eles o que acham. É um grupo muito bom para se trabalhar.

PSB: Como cineasta, algum filme ou tendência de filme por aí te empolga?

JW: [Risos] Vou te falar, não faço ideia sobre o que está rolando no mundo do cinema. Não vi nada. Estou ansioso para tirar umas semanas de folga quando o filme estrear, e ver o que está acontecendo no mundo.

PlayStation.Blog: Tem jogado algum game?

Jon Watts: Estou tão atrasado agora. O jogo Everything. Ele é demais. Amo quando um game muda suas expectativas sobre o que ele pode ser. Amo esse jogo.

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