Keiji Inafune Fala Sobre as Duras Escolhas em Soul Sacrifice

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Keiji Inafune Fala Sobre as Duras Escolhas em Soul Sacrifice

Soul Sacrifice para PS Vita

No mundo do desenvovimento de jogos, Keiji Inafune é um gigante entre os homens. O ilustrador e ex-líder global de produção da Capcom teve um papel importante no desenvolvimento de uma vasta gama de jogos de diversos gêneros, de Mega Man e Resident Evil a Lost Planet e muito mais.

Com seu novo papel na Comcept e Intercept, Inafune está expandindo sua influência em novos projetos, incluindo a future “fantasia sombria” Soul Sacrifice para PS Vita. Durante a gamescom, na última semana, estive com Inafune para saber mais sobre seu ambicioso novo jogo, que força os jogadores a tomarem decisões dolorosas.

Soul Sacrifice para PS VitaSoul Sacrifice para PS Vita

PlayStation.Blog: Como você pega algo doloroso – um sacrifício – e torna divertido em um ambiente de jogo?
Keiji Inafune: Se você escuta a palavra “sacrifício”, obviamente parece doloroso. Mas isso por você pensar em sacrifício como algo feito com você. Mas quando você está jogando com amigos, pode ser divertido pois cria novos diálogos. Se meu personagem está morrendo, e meu amigo decide me sacrificar, eu diria “Hey, o que está fazendo?! Não me sacrifique!”

Então isso cria motivos para encontrar novas maneiras de lutar. Pode nos levar a diferentes tipos de heroism; você poderia salvar uma situação ruim sacrificando você ou seu amigo, ou pedindo ao seu amigo para que ele se sacrifique pelo bem do grupo. Eu não sei se é sempre “divertido”, mas é um novo tipo de entretenimento.

Você é forçado a fazer escolhar neste jogo. Claro, você pode passar pelo jogo inteiro fazendo pequenos sacrifícios – qualquer coisa que você encontrar na natureza pode ser utilizado como oferenda, pedras ou um rato que encontrar no campo – e ganhando pequenas quantidades de poder. Quanto mais sacrifica, mais poder ganha. É você quem decide.

PSB: Você recentemente revelou a história por trás de um dos monstros do jogo, o Griffon. Quando você não sabe as motivações de alguém, fica fácil para matá-los. Você quer que simpatizemos com estes monstros?
KI: Uma das coisas que quero ilustrar é um sentimento de culpa, um sentimento de complexidade. Há o sacrifício, mas também há salvação. São duas escolhas extremas, o dilema que você enfrentará toda vez. Quero que você faça sacrifícios, mas também quero que pense em salvação. Talvez você esteja enfrentando um inimigo poderoso e fica sabendo que a filha dele está doente, que ele precisa ganhar dinheiro lutando para salvá-la. Quando escuta isso durante a batalha, a sua parte boa pode pensar em perder para que ele salve sua filha. Mas você quer vencer a batalha também!

Então você passa por estes sentimentos complexos. Eu queria fazer disso algo grande no jogo. Você consegue lidar com estas escolhas extremas dadas as situações?

Soul Sacrifice para PS Vita

PSB: Você acha que ambiguidade moral é algo que está faltando nos jogos? Temos muitas histórias focadas em branco e preto, bem contra o mal?
KI: Eu assisti a evolução dos jogos e da indústria de jogos pelos últimos 25 anos; sempre da primeira fileira. Muitos jogos de ação moderna se preocupam em quão realística você pode deixar a experiência, quão sensacional a ação é.

Mas os criadores de grandes jogos atuais perceberam que eles precisam fazer algo além do mais realístico, mais sensacional – estão quase sem alternativas. Estão pensando em criar algo novo que inclua esse aspecto emocional. Pensando globalmente, para competir com os melhores criadores de jogos hoje em dia, também tive que pensar sobre incluir este aspecto emocional. Os jogos que eu trabalho irão incluir isto como um grande tema.

PSB: Há alguma vantagem entre sacrifício ou salvação? Seu personagem evolui de maneira diferente?
KI: Você já deve saber que pode personalizar seu personagem, e terá muitas escolhas e opções. Mas a maneira que você luta afetará na sua aparência. Se você se poupar bastante, ou se sacrificar bastante, os efeitos visuais serão diferentes; você se torna mais angelical ao se poupar, e mais diabólico por se sacrificar.

Se for de um extremo a outro, chega uma hora em que fica difícil continuar [no caminho escolhido]. Quando é fácil sacrificar um inimigo em particular, você pode ter que enfrentar uma decisão difícil se quiser salvá-lo. Mas você pode escolher uma abordagem extrema, e ganhar mais poder por ter escolhido o caminho mais difícil. Isso pode vir à tona quando estiver jogando com amigo.

PSB: O que mais você pode dizer sobre o modo multiplayer de Soul Sacrifice? Como diferentes jogadores podem cooperam entre si?
KI: Definitivamente, o modo multiplayer é a grande parte de Soul Sacrifice. Não se trata apenas de ter quatro pessoas enfrentando um monstro. Você tem que ser estratégico em termos de criar sua equipe e escolher sua magia. Um jogador pode querer ser agressivo e luta na linha de frente, enquanto outro pode querer se poupar e curar mais. Outro jogador pode parar o tempo para ajudar os outros.

Cada equipe que você entrar terá uma estratégia diferente, jeitos diferentes para atacar e lutar. Esse é o grande elemento do jogo.

Soul Sacrifice para PS VitaSoul Sacrifice para PS Vita

PSB: Os desenvolvedores usaram muitas estratégias para criar títulos para o PS Vita, desde pequenos jogos a grandes títulos no estilo de consoles. Para você, qual a melhor experiência em um portátil?
KI: Estive bastante envolvido com a série Monster Hunter, uma das pioneiras em jogo multiplayer em um portátil, e acho que minha experiência com ele será muito valiosa enquanto exploro as oportunidades no PS Vita. Dito isso, apesar de muitas maneiras de abordar o design de um jogo, acho que multiplayer online em tempo real é muito divertido e empolgante, embora desafiador para cria-lo.

Em um ambiente de jogo portátil, você não pode ter horas e horas de jogo – 30 minutos é a provável zona de conforto. Eu gosto de analisar capítulo por capítulo, ao contrário do livro todo. Ao final de cada capítulo, gosto de ver resultados. Em Soul Sacrifice, por exemplo, você enfrenta um chefe e, ao final da batalha, decide se quer salvação ou sacrifício [e isso garante um pagamento]. No final do jogo, você terá um “livro” completo de experiência. Da minha perspectiva, essa abordagem faz muito sentido para o design do PS Vita.

PSB: o que mais você pode dizer sobre o universo de Soul Sacrifice? De onde vieram as inspirações para desenvolver o visual e a ciência?
KI: Você começa Soul Sacrifice como um humano fraco e sem esperanças, trancado em uma cela misteriosa esperando para ser sacrificado. Eu queria criar um mundo de fantasia sombria, mas não basta criar uma história. Se seu personagem está em uma situação desesperada, e você vê pelos seus olhos, tudo deve parecer sombrio e depressivo. “Fantasia sombria” é o resultado da situação em que você está.

PSB: Você mencionou que uma das razões de estar fazendo este jogo é por ter feito sacrifícios em sua carreira. Na sua vida, você diria que salvou mais ou sacrificou mais?
KI: [risos] Eu diria que, até agora, sacrifiquei mais. Mas acredito que fiz estes sacrifícios para ter algo em troca. Eu queria salvar pessoas… queria salvar muitas coisas e seguir adiante.

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